http://translatingcuba.com/the-persistence-of-fear-ernesto-morales-licea/
Há um fado da Amália que se chama o medo e diz, "o medo mora comigo/ mas só o medo".
O medo mora em todos nós um bocadinho. Toda a gente tem medo de alguma coisa: ratos, aranhas, escuro, aviões, alturas. O medo, que é comum aos animais, é o nosso garante de sobrevivência que viaja connosco desde o início dos tempos e nunca nos abandona. E ainda bem. Mas diz o fado que o medo nos isola, tolhe, aprisiona.
É esta a nossa batalha diária de sermos humanos. Matar ou morrer. Lutar ou fugir. E o medo que nos comanda, e a razão e os sentimentos que nos travam ou impelem a avançar.
Eu tenho vertigens. E basta às vezes um metro de muro para me sentir à beira do abismo, à beira da queda, à mercê do medo que é físico, acelera a pulsação e a respiração, contrai os músculos, arrepia a pele e gelo da cabeça aos pés. Bloqueio ou grito? Aí, é quando eu rebusco as forças da minha consciência e digo a mim própria "calma, é um metro, deste lado há terra, se caíres não te magoas, é só um passo e acaba". Um passo e venci o medo e não me aconteceu rigorosamente nada.
O medo, mora nas notícias, nos blogs, nas páginas de facebook. Há muita gente bloqueada - é o medo dos outros. Há muita gente a fugir - é o medo de morrer. Há muita gente a gritar - é o medo de enfrentar o abismo ou de cair nele. O medo mora comigo. O medo mora com eles. Mas só o medo.
Eu também tenho medo. Sou como o Churchill - tenho medo do medo. do medo animal e irracional. Mas também sei que o medo é meu amigo.
Já que toda a gente tem uma solução para os refugiados - ainda que um número incrivelmente grande ache que é atirá-los ao mar com uma grande pedra ao pescoço- eu deixo aqui as minhas:
1. quem já chegou, já chegou - é acolhê-los de forma humana, reparti-los pela Europa, família por família, localidade por localidade, apoiá-los de início e dar-lhe condições para se tornarem independentes e para se integrarem, mantendo uma vigilância discreta, não vá o diabo tecê-las e alguns serem mesmo terroristas.
2. quem está a caminho, não volta atrás - é criar estruturas de apoio ao longo do percurso para que não continuem a chegar pessoas apavoradas a uma barreira em que o medo de não passar e o instinto de matar ou morrer nem que seja a lutar por sentirem que não há para onde fugir originam os conflitos que temos visto; se as Nações Unidas ou qualquer outra organização reconhecida criassem balcões de registo na Turquia, na Grécia, na Sérvia onde pudessem ser registados os refugiados, verificadas as identidades e depois encaminhados, muita violência se poderia evitar.
3. quem ainda não partiu, precisa de condições para ficar- é preciso travar a guerra a morte e a exploração na origem, criar zonas protegidas, corredores de segurança e insistir num cessar fogo. Quase todos fogem porque não têm condições de ficar. Porque o medo os impele a salvarem-se.
4. refugiados e países de passagem, destino e acolhimento - colocar no terreno mediadores: psicólogos, tradutores, negociadores e não soldados armados (alguns armados em parvos) e cães.
5. informar refugiados e europeus uns sobre os outros - para os refugiados nós somos os sortudos que vivem no paraíso com luxos inacreditáveis como água e o direito de dormir à noite; para nós eles são ou um monte de gente compreensivelmente desesperada (embora com alguns arruaceiros pelo meio) ou uma horda de terroristas que vêm para cá por bombas e roubar empregos (como se eles não estivessem fartos de bombas)
6. criar condições para que rapidamente quase todos possam volta à sua terra e reconstruir o seu país - que é o que quase todos querem: nem que para isso (perdoem-me porque eu sou profundamente pacifista mas sei que há males que não se tratam com aspirina) seja necessário atacar fortemente o estado islâmico e não me digam que os serviços secretos e os exércitos altamente especializados deste mundo não sabem onde eles estão nem se lembram como treinaram os seus lideres para agora preverem como os travar.
7. apelar à calma interior e exterior e vencer o medo tendo coragem para dar um passo.
Senhor Ban -ki-moon, e senhor Guterres, se quiserem eu ajudo-vos a organizar isto e nem levo caro (as Nações Unidas são um monstro macrocéfalo que se alimenta dos fundos que deviam ser destinados a estas coisas, e eu não quero ser um peso grande demais).
Se eu tenho medo que os refugiados tragam uma enorme instabilidade à Europa e prejudiquem alguns ou todos nós, eu tenho. Mas recuso-me a ficar em cima do muro congelada de costas para quem tem tanto ou mais medo do que eu. Há malucos assim... graças a deus, tenha lá deus o nome que tiver.Amália
Este mundo precisa de mais sagis no comando! Pelo menos no das ideias! Contem com umas flechadas e humor de saltos altos, ainda que um pouco negro (black is beautiful!), e ideias pelo menos originais.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Isto e os outros
Toda esta questão dos "migrantes" daria muito para rir se não fosse tão trágica. Para rir da ignorância, dos horizontes estreitos, das mentes quadradas, das declarações políticas idiotas.
Mas eu, que declaro sofrer de um problema chamado sensibilidade, não tenho vontade de rir. Tenho lido as mais incríveis teorias xenófobas e neonazis a propósito disto tudo. Que é sensasionalismo, que é manipulação, que há muito quem precise de ajuda por cá, que é um problema dos outros.
Mas sabem o que isto me faz lembrar? Timor Leste. Eu lembro-me de me vestir de branco, de fazer cartazes e manifestações e de o mundo inteiro ficar calado, calado... Lembro-me de um barco lançar flores ao mar e o mundo calado... Lembro-me da minha raiva de adolescente e da impotência de não haver ninguém que estendesse uma mão àquele povo. Até aparecer petróleo e os Americanos e os Australianos terem tido uma inspiração humanista e solidária e resolverem o problema.
Agora ir meter o nariz no vespeiro da Síria e incomodar estes e outros na Turquia, no Iraque, na Líbia por causa de uma guerra dos OUTROS (tão outros que até têm outra religião, veja-se lá!) isso é que não.
Os americanos dizem que é um problema europeu, os europeus empurram uns para os outros, empurram para debaixo do tapete ou do mar ou do arame farpado (o que estiver mais à mão). As instituições internacionais não se mexem, não aparecem. Todos os que têm poder e responsabilidade falam falam falam falam mas eu não os vejo a fazer nada.
Por um lado eu entendo que não se pode simplesmente abrir as portas indiscriminadamente mas menos entendo que ninguém atue perante os governos dos países de origem destas pessoas, que ninguém esteja a implementar um plano e a organizar as coisas de forma mais serena.
Eu cá se tivesse andado um mês com um filho ao colo para o salvar da guerra, sem dinheiro, sem roupa, sem comida ou água também não ia chegar a uma barreira e dizer delicadamente "Senhor polícia eu gostaria de passar airosamente pelo seu país para chegar a outro onde pudesse criar a minha família em segurança, importa-se? Obrigadinha e bom dia."
E depois temos os iluminados cidadãos deste país a dizerem que não estão para pagar para alimentar os OUTROS lá das arábias e da África mas eu cá digo que preferia alimentar os outros do que suportar os desmandos,as luvas e as megalomanias dos políticos de cá.
Chamem-me sentimentalona, chamem-me altruísta, chamem-me generosa, chamem-me humana, chamem-me mulher mas eu não posso admitir que alguém justifique ou aprove ou ainda louve a situação desumana dos refugiados. Não admito. É cruel, é torpe, é monstruoso que milhões de pessoas educadas em países e sociedades evoluídas, com valores e reconhecimento pelos direitos humanos façam de conta que é com os outros. E lá no fundo da minha memória (tão no fundo que é uma memória mais antiga que eu) há um alarme que soa e me diz que já vi isto antes, tantas vezes antes e a humanidade não aprendeu nada.
O que me preocupa mesmo é o leão Cecil, o cão Sam, as ruínas de Palmira e a novela nova da SIC. O resto é lá com os outros.
Mas eu, que declaro sofrer de um problema chamado sensibilidade, não tenho vontade de rir. Tenho lido as mais incríveis teorias xenófobas e neonazis a propósito disto tudo. Que é sensasionalismo, que é manipulação, que há muito quem precise de ajuda por cá, que é um problema dos outros.
Mas sabem o que isto me faz lembrar? Timor Leste. Eu lembro-me de me vestir de branco, de fazer cartazes e manifestações e de o mundo inteiro ficar calado, calado... Lembro-me de um barco lançar flores ao mar e o mundo calado... Lembro-me da minha raiva de adolescente e da impotência de não haver ninguém que estendesse uma mão àquele povo. Até aparecer petróleo e os Americanos e os Australianos terem tido uma inspiração humanista e solidária e resolverem o problema.
Agora ir meter o nariz no vespeiro da Síria e incomodar estes e outros na Turquia, no Iraque, na Líbia por causa de uma guerra dos OUTROS (tão outros que até têm outra religião, veja-se lá!) isso é que não.
Os americanos dizem que é um problema europeu, os europeus empurram uns para os outros, empurram para debaixo do tapete ou do mar ou do arame farpado (o que estiver mais à mão). As instituições internacionais não se mexem, não aparecem. Todos os que têm poder e responsabilidade falam falam falam falam mas eu não os vejo a fazer nada.
Por um lado eu entendo que não se pode simplesmente abrir as portas indiscriminadamente mas menos entendo que ninguém atue perante os governos dos países de origem destas pessoas, que ninguém esteja a implementar um plano e a organizar as coisas de forma mais serena.
Eu cá se tivesse andado um mês com um filho ao colo para o salvar da guerra, sem dinheiro, sem roupa, sem comida ou água também não ia chegar a uma barreira e dizer delicadamente "Senhor polícia eu gostaria de passar airosamente pelo seu país para chegar a outro onde pudesse criar a minha família em segurança, importa-se? Obrigadinha e bom dia."
E depois temos os iluminados cidadãos deste país a dizerem que não estão para pagar para alimentar os OUTROS lá das arábias e da África mas eu cá digo que preferia alimentar os outros do que suportar os desmandos,as luvas e as megalomanias dos políticos de cá.
Chamem-me sentimentalona, chamem-me altruísta, chamem-me generosa, chamem-me humana, chamem-me mulher mas eu não posso admitir que alguém justifique ou aprove ou ainda louve a situação desumana dos refugiados. Não admito. É cruel, é torpe, é monstruoso que milhões de pessoas educadas em países e sociedades evoluídas, com valores e reconhecimento pelos direitos humanos façam de conta que é com os outros. E lá no fundo da minha memória (tão no fundo que é uma memória mais antiga que eu) há um alarme que soa e me diz que já vi isto antes, tantas vezes antes e a humanidade não aprendeu nada.
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| in:http://www.praguepost.com/viewpoint/35290-stopping-the-syria-contagion |
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Ao contrário de Robin Hood
Soube hoje de uma das coisas mais revoltantes que ouvi nos
últimos tempos – e olhem que não tem havido falta de coisas revoltantes neste
país!
Ora uma certa pessoa, bem-falante e considerada, defensora
da lei e da moral que tem passado airosamente por várias instituições (embora
não apareça na televisão), para além de outros pecados menos nauseantes, tem,
mercê da sua posição numa instituição com ligações à igreja, andado a – eu ia
escrever “desviar” mas não vou em eufemismos – roubar comida aos pobres.
Repito, ROUBAR ALIMENTOS AOS POBRES. Ora isto é, - e cito-me
a mim própria- o cúmulo do nojo. É que roubar alimentos doados (se calhar por
gente que abdica de parte do pouco que tem para matar a fome a um conterrâneo) para
fazer jantaradas e festas é de revirar o estômago. Porque uma coisa é aquilo a
que já estamos habituados: fundos desviados, um favor aqui, uma cunha ali, gastar
o dinheiro dos amigos, boatos disto e daquilo. Outra coisa é alguém com o ar
mais deslavado do mundo pegar numas caixas de comida destinadas a alimentar
velhos, crianças e doentes e levá-las para fazer uns brilharetes aos amigos e
conhecidos e ficar com fama de mãos-largas. Eu até conseguia encontrar
atenuantes se fosse para matar a fome aos filhos ou aos pais mas para “armar ao
pingarelho” é que ninguém pode admitir! É a total falta de caráter, de valores,
de humanidade. É ser mais sujo que o esgoto.
Eu bem podia chamar os bois pelos nomes mas- agora vou
armar-me em jornalista- a alegada ladra não pode ser mencionada porque o caso
está em investigação e é preciso respeitar o segredo de justiça e blábláblá. Na
verdade, a dita pessoa corre é o risco de levar umas lambadas bem assentes e eu
não quero ser acusada de incitar à violência, até porque qualquer pessoa é
inocente até trânsito em julgado (isto dependendo do julgador e dos advogados e
das incorreções processuais, naturalmente). Eu cá, que nunca vi a criatura em
questão, - graças a deus- estava capaz de lhe dar uma valente sova. Ou, já que
este país anda numa de referências bíblicas, entrançar umas cordas e expulsar
os vendilhões (neste caso, ladrões) do templo e admitir que é mesmo mais fácil
fazer passar um camelo por um buraco de uma agulha do que um rico (verdadeiro
ou fingido) entrar no reino dos céus. (Agora que penso nisso, na cadeia já não
é bem assim, felizmente.)
O que me deixaria ainda verdadeiramente triste era se a
carapuça começasse a servir em tanta cabeça que fosse como aquela anedota em
que fugiram dez malucos do manicómio, já apanharam cinquenta mas nenhum é dos
que fugiu. Como otimista que sou, ainda me resta alguma esperança na
honestidade das pessoas e nas histórias que vêm nos livros.
Neste momento, não me resta mais que concluir que ao
contrário do Robin Hood, e sem ser na ficção, há mesmo quem roube aos pobres
para dar aos ricos.
sábado, 27 de junho de 2015
Je suis Tunisie
Quem me conhece, sabe do meu profundo carinho pela Tunísia-
um país onde já fui feliz, onde fiz amigos que me acompanham até hoje, onde
tive os melhores dias de praia de sempre, onde pretendo voltar. Partilhei a
minha alegria pela sua “primavera”, pela sua liberdade, pela sua esperança…
Hoje tenho um nó na garganta e choro por dentro. A Tunísia
não merecia isto, os tunisinos não merecem isto e, definitivamente, os
tunisinos não são isto.
Ouvi agora nas notícias o genro de uma portuguesa que morreu
em Sousse e destaco que, no meio do seu sofrimento, ele nunca culpou a Tunísia
e os tunisinos- o meu abraço à família. Ficaram-me na memória as informações
que deu: a sogra e o sogro costumavam ir de férias à Tunísia e, na primeira vez
que foi de férias sozinha, a sogra escolheu a Tunísia porque era um lugar que
conhecia bem, onde se sentia segura, feliz e sabia que ia ser muito bem tratada
pelo pessoal do hotel. Esta é precisamente a imagem que eu tenho da Tunísia e
do povo tunisino.
O que aconteceu em Sousse é algo que ninguém merece, claro,
e que nos deve horrorizar a todos. Não é porque os árabes são terroristas ou
porque os tunisinos são terroristas! É porque existem terroristas e um ataque
assim pode – pode MESMO- acontecer em qualquer país.
Antes que comecem todos a dizer que é o que acontece a quem
vai de férias para esses países árabes extremistas e perigosos, digo-vos que estar
numa praia em Sousse é como estar na praia da Rocha ou em Albufeira e chegar um
rapaz com um guarda-sol, sacar de uma AK-47 e desatar a disparar e matar
quarenta pessoas. Tão simples e tão horroroso como isto. E imaginem agora o que
nos aconteceria como país se isso acontecesse numa praia do Algarve ou do
Estoril ou da Caparica.
Por isso é que hoje eu sou a Tunísia, e todos devemos ser a
Tunísia. Porque um atentado destes pode destruir a frágil economia de um país e
matar muito mais do que as vítimas diretas. Porque nunca estaremos seguros num
mundo em que estas coisas podem acontecer em qualquer lugar. Porque não vamos
trancar-nos em casa com medo. Porque qualquer vida perdida para o terrorismo em
qualquer lugar no mundo é uma perda para todos nós. Je suis Tunisie.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
As guerras dos outros
Ontem, à hora do jantar, o meu marido ligou a televisão e disse "Olha, são as imagens do avião". Avião? Qual avião? Mais um que perdeu peças... "O da Malaysia Airlines" Ah, o do mar. "Não, o que caiu na Ucrânia." Outro? Bolas! E morreu alguém? (Pergunta mais parva, quando cai um avião morre sempre alguém) "295 pessoas. " !!!!!! :o
... segundo os Estados Unidos, o avião foi abatido por um míssil terra-ar... Continua um jornalista.
Estou pasma. Passa-se um dia sem ver notícias e acontece isto. Na Ucrânia. Um avião abatido. Não um avião militar, não um avião espião, mas uma avião civil cheio de europeus, australianos e pessoas de outros países civilizados, que iam para umas férias civilizadas numa cidade civilizada chamada Kuala Lumpur, que foi abatido sobre um país europeu civilizado, a Ucrânia, não se sabe bem por quem.
Enquanto foi o Iraque, a Síria, Gaza e Israel, eram as guerras dos outros, dos Árabes, do médio Oriente, quase como se fosse noutro planeta, os venusianos contra os marcianos ou os vulcanianos contra os plutonianos. Mas a Ucrânia é mesmo ali ao virar da nossa esquina. Já não há muro de Berlim. A cortina de ferro foi-se. Os holandeses e os britânicos são nossos compatriotas europeus abatidos sobre a Europa numa guerra que não era a deles - ou será que era? Mais do que matar criancinhas inocentes, indefesas e inofensivas em Gaza, atacar um avião civil cheio de europeus revolve-nos o estômago. Subitamente já não é uma guerra dos outros. Subitamente podíamos ser nós a voar para umas férias de sonho. (Já agora lembrem-me de nunca voar com a Malaysia Airlines: aqueles aviões têm um azar do caraças!)
Eu, que penso sempre tanto, não sei bem o que pensar nem o que escrever. Mas tenho aqui na garganta um estranho nó que não tem nome e uma convicção de que todas as guerras são nossas, mesmo as guerras dos outros...
http://www.bbc.com/news/world-europe-28359345
... segundo os Estados Unidos, o avião foi abatido por um míssil terra-ar... Continua um jornalista.
Estou pasma. Passa-se um dia sem ver notícias e acontece isto. Na Ucrânia. Um avião abatido. Não um avião militar, não um avião espião, mas uma avião civil cheio de europeus, australianos e pessoas de outros países civilizados, que iam para umas férias civilizadas numa cidade civilizada chamada Kuala Lumpur, que foi abatido sobre um país europeu civilizado, a Ucrânia, não se sabe bem por quem.
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Eu, que penso sempre tanto, não sei bem o que pensar nem o que escrever. Mas tenho aqui na garganta um estranho nó que não tem nome e uma convicção de que todas as guerras são nossas, mesmo as guerras dos outros...
http://www.bbc.com/news/world-europe-28359345
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Da felicidade
É tão raro mas tão raro escrever-se sobre a felicidade. Talvez seja porque, como eu própria digo, não se escreve a alegria. Mas é também um traço deste nosso povo de fado que rima mais com tristeza e com desgraça, dor e mágoa.
Hoje, coisa tão rara, quero escrever sobre a felicidade. A das pessoas que amamos. A dos dias de sol. A de um trabalho que correu bem. A de um aluno que nos dá um desenho, um beijo, um abraço. A do esforço reconhecido. A do gato que ronrona no nosso colo. A dos amigos que partilham connosco os bons e os maus momentos.
A felicidade, mais do que a tristeza é para partilhar e para contagiar nem que seja num blog, num SMS, num agradecimento silencioso aos céus. A felicidade é mais rara e mais valiosa que uma caixa cheia de pedras preciosas - que são belas mas frias- , e, ao contrário das jóias, não pode ser enfiada no cofre mas generosamente repartida.
Hoje, partilho a minha felicidade connosco e saibam que quanto mais se partilha mais se multiplica, menos à laia de matemática e mais à da física.
Sejam felizes.
Hoje, coisa tão rara, quero escrever sobre a felicidade. A das pessoas que amamos. A dos dias de sol. A de um trabalho que correu bem. A de um aluno que nos dá um desenho, um beijo, um abraço. A do esforço reconhecido. A do gato que ronrona no nosso colo. A dos amigos que partilham connosco os bons e os maus momentos.
A felicidade, mais do que a tristeza é para partilhar e para contagiar nem que seja num blog, num SMS, num agradecimento silencioso aos céus. A felicidade é mais rara e mais valiosa que uma caixa cheia de pedras preciosas - que são belas mas frias- , e, ao contrário das jóias, não pode ser enfiada no cofre mas generosamente repartida.
Hoje, partilho a minha felicidade connosco e saibam que quanto mais se partilha mais se multiplica, menos à laia de matemática e mais à da física.
Sejam felizes.
On top of the world
http://youtu.be/g8PrTzLaLHc
Já que o facebook não abre devido às restrições do MEC, aqui fica para eu partilhar mais tarde.
That's how I'm feeling this morning.
Já que o facebook não abre devido às restrições do MEC, aqui fica para eu partilhar mais tarde.
That's how I'm feeling this morning.
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